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Reino Unido revela novos poderes para grupos alvo que atuam em nome de estados estrangeiros hostis

O governo do Reino Unido introduziu uma nova legislação que daria às autoridades poderes ampliados para atacar organizações e indivíduos acusados de realizar atividades em nome de estados estrangeiros hostis.

 

 

O projeto de lei proposto sobre Segurança Nacional (Ameaças de Estado) foi apresentado ao Parlamento em 9 de junho e deve entrar em vigor já no próximo mês, se aprovado. A legislação permitiria ao governo designar organizações ligadas a estados estrangeiros e aplicar poderes semelhantes aos usados em casos de contraterrorismo.

Segundo a proposta, tornar-se-ia crime apoiar uma organização designada, ajudá-la ou aceitar pagamento dela. Indivíduos condenados sob as novas medidas podem enfrentar penas de prisão de até 14 anos.

Segundo o governo, a legislação visa lidar com situações em que estados estrangeiros supostamente utilizam organizações proxy, grupos criminosos ou outros intermediários para realizar atividades como vigilância, sabotagem, intimidação ou ataques, enquanto se distanciam do envolvimento direto.

O primeiro-ministro Keir Starmer disse que o governo não toleraria atores hostis usando terceiros para realizar operações no Reino Unido. A secretária do Interior, Shabana Mahmood, disse que os estados estrangeiros estão cada vez mais dependendo de proxies e que as agências de aplicação da lei precisam de ferramentas adicionais para responder às ameaças em evolução.

O anúncio segue uma série de investigações envolvendo supostas atividades de estados estrangeiros na Grã-Bretanha. Autoridades apontaram incidentes incluindo ataques a locais judaicos, casos de espionagem e operações supostamente ligadas a organizações que atuam em nome de governos estrangeiros. As autoridades já acusaram anteriormente atores ligados ao Irã, Rússia e China de usarem proxies para perseguir interesses do Estado. Esses países negaram as alegações.

O governo afirmou que a legislação foi desenvolvida após agências de inteligência relatarem um aumento nas investigações sobre ameaças estatais. Segundo o MI5, as investigações relacionadas à atividade de estados hostis aumentaram 35% no último ano. Autoridades também citaram 20 supostos planos apoiados pelo Irã que foram considerados potencialmente letais.

O projeto permitiria que grupos designados fossem tratados de forma semelhante aos serviços de inteligência estrangeiros sob as leis de segurança nacional existentes. Autoridades afirmam que o objetivo é facilitar a investigação, a perturbação e a execução de operações conduzidas por meio de intermediários, e não diretamente por governos estrangeiros.

A legislação está atualmente em processo de aprovação no Parlamento, e o governo indicou que os novos poderes poderão ser ativados imediatamente assim que a lei entrar em vigor.