As autoridades russas abriram um processo criminal contra o fundador do Telegram, Pavel Durov, acusando-o de auxiliar atividades terroristas ao permitir que conteúdos supostamente ilegais permanecessem disponíveis na plataforma de mensagens. O Serviço Federal de Segurança (FSB) anunciou que Durov também foi adicionado à lista internacional de procurados da Rússia enquanto a investigação avança.
Em um comunicato divulgado na quarta-feira, o FSB alegou que o Telegram não removeu canais, grupos de conversa e bots automatizados que supostamente eram usados por agências e organizações de inteligência ucranianas que a Rússia classifica como grupos terroristas ou extremistas. Segundo a agência, esses recursos online foram usados para organizar sabotagens, ataques terroristas, fraudes cibernéticas e outras atividades criminosas dentro da Rússia. As alegações do FSB não foram verificadas de forma independente, e Durov não foi condenado por nenhum crime.
A investigação criminal foi iniciada sob o Artigo 205.1 do Código Penal Russo, que cobre a auxílio a atividades terroristas. Investigadores russos alegam que o Telegram não cumpriu as leis internas que exigem a remoção de material proibido da plataforma.
Uma parte significativa do anúncio do FSB focou em um chatbot de namoro baseado no Telegram conhecido como Daivinchik, ou Leo-Dating, Chatting, and New Friends. A agência afirma que oficiais de inteligência ucranianos usaram o serviço para estabelecer contato com jovens cidadãos russos se passando por mulheres online antes de desenvolver relacionamentos pessoais com eles.
Segundo o FSB, o suposto esquema envolvia persuadir as vítimas a compartilharem locais de encontro ou a fazer compras usando links de phishing. Investigadores afirmam que as vítimas foram posteriormente contatadas por indivíduos que fingiam representar as forças de segurança russas ou a agência de monitoramento financeiro do país, que supostamente lhes disseram apoiar, sem saber, o exército ucraniano. As autoridades dizem que o medo e a pressão psicológica resultantes foram então usados para coagir algumas pessoas a cometer crimes, incluindo incêndio criminoso e ataques a infraestrutura.
O FSB afirmou que operações conjuntas com o Ministério do Interior da Rússia e o Comitê de Investigação resultaram na detenção de 46 cidadãos russos entre 12 e 22 anos a partir de julho de 2025. As autoridades alegam que os suspeitos estiveram envolvidos em ataques a policiais, incêndios criminosos contra infraestrutura de transporte, comunicações, finanças e energia, e o movimento de dinheiro obtido por meio de fraude. Essas alegações não foram confirmadas de forma independente.
O Telegram não emitiu uma resposta formal ao caso criminal. Sua conta oficial no X reagiu postando uma imagem de Durov fazendo um gesto obsceno, enquanto Durov, que mora em Dubai, não comentou publicamente as acusações.
O anúncio ocorre em meio a uma relação cada vez mais tensa entre o Telegram e as autoridades russas. No início deste ano, a Rússia introduziu restrições ao acesso à plataforma antes de expandi-las para um bloqueio quase completo em abril de 2026. Separadamente, Durov continua enfrentando processos judiciais na França por alegações de que o Telegram não abordou adequadamente a atividade criminosa no serviço, um caso não relacionado às acusações anunciadas pelo FSB.