A Austrália está se preparando para reforçar a aplicação de sua histórica proibição de redes sociais para crianças menores de 16 anos, após novas pesquisas descobrirem que a maioria dos adolescentes continua acessando plataformas restritas, apesar da lei estar em vigor há seis meses.

 

 

O primeiro-ministro Anthony Albanese disse que o governo irá “testar sob estresse” a legislação para garantir que ela possa resistir a desafios legais e impedir efetivamente que usuários menores de idade criem contas em grandes plataformas como Instagram e YouTube. Ele também sinalizou que o Comissário de eSafety da Austrália poderia receber poderes adicionais para fazer cumprir as regras.

O novo impulso ocorre após a publicação de um estudo no British Medical Journal, que descobriu que 85% das crianças australianas entre 12 e 15 anos ainda usavam redes sociais três meses após a entrada em vigor da proibição. Pesquisadores entrevistaram 408 adolescentes e concluíram que havia poucas evidências de que a legislação tivesse reduzido significativamente o uso das redes sociais entre os adolescentes.

De acordo com o estudo, muitos usuários jovens simplesmente contornaram medidas de verificação de idade ao inserir datas de nascimento falsas, usar contas existentes, pegar contas emprestadas de usuários mais velhos ou recorrer a outras soluções alternativas. Pesquisadores disseram que os atuais sistemas de garantia de idade têm tido dificuldades para impedir que adolescentes determinados acessem plataformas restritas.

Os resultados ecoam discussões em comunidades online, incluindo o Reddit, onde usuários compartilharam métodos para burlar as restrições, destacando os desafios práticos de aplicar controles de acesso baseados na idade.

O Comissário de eSafety da Austrália já está investigando várias grandes empresas de tecnologia por sua conformidade com a lei. Plataformas que não tomarem “medidas razoáveis” para manter crianças fora de seus serviços enfrentam penalidades financeiras substanciais, enquanto o governo está considerando conceder aos reguladores poderes investigativos mais amplos para obter documentos internos de conformidade e evidências tanto das plataformas quanto dos provedores de verificação de idade.

A legislação, que entrou em vigor em dezembro de 2025, tornou a Austrália o primeiro país a proibir usuários menores de 16 anos de manter contas em grandes plataformas de redes sociais. Desde então, governos ao redor do mundo têm acompanhado de perto a política enquanto consideram a introdução de restrições semelhantes para tratar preocupações sobre a segurança online e saúde mental das crianças.

Apesar das críticas sobre sua eficácia, Albanese afirmou que o governo continua comprometido com a política e quer garantir que os reguladores tenham a autoridade necessária para aplicá-la. Autoridades argumentam que uma supervisão mais rigorosa, em vez de regras mais flexíveis, é necessária se a primeira proibição nacional de mídias sociais para menores quiser alcançar seus objetivos pretendidos.

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