O FBI alertou que ataques cibernéticos direcionados a serviços públicos de água e esgoto estão afetando comunidades em pelo menos sete estados dos EUA, indicando que uma onda recente de incidentes vai muito além dos ataques coordenados relatados em Minnesota. Autoridades federais afirmam que a campanha interrompeu operações em várias instalações e está focada em equipamentos industriais de controle conectados à internet.

 

 

O alerta, emitido em conjunto com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), segue relatos de que mais de 30 concessionárias de água em Minnesota enfrentaram incidentes cibernéticos a partir do final de julho. Embora o FBI não tenha identificado os estados afetados nem atribuído formalmente a atividade a um ator ameaçador específico, o alerta está alinhado com orientações recentes da Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura (CISA), que liga ataques semelhantes ao CyberAv3ngers, um grupo de hackers que as autoridades dos EUA já associaram ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã.

Segundo o FBI, as concessionárias começaram a reportar incidentes em 27 de julho, com várias organizações sofrendo interrupções após atacantes terem como alvo controladores lógicos programáveis (CLPs) voltados para a internet. Esses dispositivos automatizam processos industriais e são amplamente utilizados para controlar sistemas de tratamento e distribuição de água.

Investigadores federais disseram que alguns atacantes mudaram senhas e configurações de rede do PLC, impedindo que operadores gerenciassem equipamentos remotamente e forçando as concessionárias a mudarem para operações manuais. Em pelo menos um caso relatado, os investigadores encontraram modificações não autorizadas em arquivos de projetos PLC após identificar discrepâncias na lógica ladder, a linguagem de programação comumente usada para controlar sistemas de automação industrial.

O impacto operacional variava entre as concessionárias. Em Minnesota, autoridades locais relataram falhas temporárias de comunicação, perda de pressão e inundações em algumas instalações após os ataques. Em Braham, autoridades municipais disseram que atacantes desativaram remotamente os controles conectados a um poço da cidade, interrompendo temporariamente as operações normais até que a equipe restaurasse o sistema. O FBI alertou que a perda de pressão nos sistemas de distribuição de água pode aumentar o risco de água subterrânea não tratada entrar nos dutos.

O aviso enfatiza que concessionárias menores continuam particularmente vulneráveis porque muitas continuam operando sistemas industriais de controle antigos, diretamente acessíveis pela internet e frequentemente com recursos limitados de cibersegurança.

Para reduzir o risco de comprometimento, o FBI e a EPA incentivaram os operadores a desconectar os CLPs voltados para a internet sempre que possível, substituir senhas padrão, restringir o acesso à rede aos sistemas de controle, manter a capacidade de operar as instalações manualmente e revisar regularmente a programação dos PLCs em busca de alterações não autorizadas. As agências também recomendam o planejamento da substituição de equipamentos envelhecidos que não recebem mais atualizações de segurança.

O alerta segue um comunicado CISA atualizado emitido em julho, que ampliou a lista de dispositivos de controle industrial que se acredita terem sido alvo em campanhas recentes. Além dos controladores Unitronics já identificados, a agência disse que atacantes também demonstraram interesse em equipamentos fabricados pela Rockwell Automation, Schneider Electric e Siemens. A CISA afirmou que as intrusões observadas exploram principalmente dispositivos expostos à internet e configurações de segurança fracas, em vez de vulnerabilidades de software recém-descobertas.

O FBI afirmou que a investigação sobre a campanha multiestadual continua em andamento, enquanto as autoridades federais continuam trabalhando com as concessionárias afetadas para avaliar toda a extensão dos ataques e fortalecer as proteções para infraestruturas críticas de água.

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